18/10/2014

PREMIO LEYA - AFONSO REIS CABRAL

Afonso Reis Cabral/ Prémio LeYa: «Inspirei-me na minha vida» .

Afonso Reis Cabral, vencedor do Prémio LeYa de Literatura, diz que só escreve sobre o que sabe e não gosta de pensar que a genética é a responsável pela sua escrita.

 Aos 24 anos, o mais jovem vencedor do galardão, trineto de Eça de Queiroz, destacou-se ontem entre 361 concorrentes de 14 países, com o romance "O meu irmão" Uma pressão nunca vem só, mas afasta-se com a mesma facilidade com que as pernas se desentorpem no jardim, enquanto processa a notícia e responde a chamadas. "Saí par estar dar um passeio, para estar um bocadinho sozinho. Ainda não sei qual a sensação de ganhar o prémio. Soube pouco antes de ter sido divulgado. Desde essa altura que estou numa roda viva, a tentar assimilar tudo. Só daqui a uns dias vou assentar",
explica Afonso Reis Cabral, acabado de ser distinguido com o Prémio Leya, conhecido ontem, na sede do grupo editorial.

 Aos 24 anos, torna-se o mais jovem autor a receber o galardão, no valor de 100 mil euros. Há outra curiosidade a assinalar, mais para deleite dos leitores que do próprio: o seu trisavô paterno chamava-se José Maria de Eça de Queiroz. "Ainda não estou publicado em termos de romance e os meus colegas continuam a ler 'Os Maias'", ri-se Afonso, quando  lhe perguntam se em algum momento os amigos preferem a prosa do trineto aos clássicos de leitura obrigatória, nem sempre triunfantes no gosto da pós-adolescência. "É uma honra ter este antepassado, mas não quero pensar numa influência genética, nada que se pareça. Não penso muito nisso".

 A árvore genealógica talvez estenda os seus braços até "O meu irmão", a obra que valeu os louros ao escritor, nascido em Lisboa em 1990, e criado no Porto até ao ensino secundário, apesar de Afonso preferir não adiantar muito sobre o conteúdo. "É sempre muito ingrato tentar parafrasear um livro que levei praticamente três anos a escrever, ia estar a trair o livro. Aguardem um pouco, para o lerem", pede o escritor que começou a escrever muito cedo, pelo nove, dez anos. "Não me vejo como um jovem escritor. Não comecei há meia dúzia de dias, mas sim há 14 anos. Independentemente do prémio, o romance já existia".

 Estudou latim e grego - ficou em oitavo lugar numa competição europeia de tradução de grego antigo. Aos 15 anos lançou "Condensação", livro de poesia com 90 páginas. Escreveu ainda "Como Lidar com Um Livro". É licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade Nova de Lisboa, onde concluiu um mestrado em Estudos Portugueses e actualmente trabalha na editora Alethêia.

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