Andy Warhol – Portfolios Dulwich Picture Gallery
Andy Warhol, Tree Frog (From the Endangered Species Series).
A internet é hoje em dia o reflexo daquilo que somos para o bem e para o mal. Eu criei este blogue com o objectivo de falar sobre a cultura pop - musica, cinema, livros, fotografia, dança... porque gosto de partilhar a minha paixão, o meu conhecimento a todos. O meu amor pela música é intenso, bem como a minha curiosidade pelo novo. Como não sou um expert em nada, sei um pouco de tudo, e um pouco de nada, o gosto ultrapassa as minhas dificuldades. Todos morremos sem saber para que nascemos.
A multimilionária colecção da obra original do famoso ícone da Pop Art Andy Warhol foi roubada na semana passada de uma casa em Los Angeles.A empregada chamou a polícia e os investigadores logo trouxeram o detective Hrycyk, que passou anos perseguindo falsários e ladrões no submundo obscuro da arte. Não havia sinal de arrombamento na casa e nada mais havia sido perturbado, incluindo várias outras peças de Warhol em paredes próximas.US $ 1 milhão de recompensa foi oferecida por uma fonte anônima por informações que levem à recuperação das pinturas, disse a polícia.
O ex-banqueiro de investimentos, Richard Weisman L. vem de uma família ilustre de colecionadores. Seus pais, Frederick e Márcia, foram figuras importantes nos círculos da arte, reunindo um conjunto significativo centrado em obras de artistas pós-II Guerra Mundial. Weisman em jovem era amigo de Warhol e comissionou as pinturas coloridas da tela de seda dos atletas famosos na década de 1970 - um período em que Warhol produziu centenas de obras para clientes ricos capazes de pagar as somas que o artista cobrava.
Apesar de não ser considerado por coleccionadores de exemplos dos melhores trabalhos de Warhol,mas as "The Athletes" series são bem conhecidas.
"Eu encomendei-lhe a fazer este conjunto de atletas, porque, em geral, os mundos da arte e desporto não combinam muito bem", disse Weisman numa recente entrevista ao The Times.
Weisman, que não pôde ser conctatado para comentar, últimamente tinha emprestado a colecção, que inclui as semelhanças de Dorothy Hamill, Kareem Abdul-Jabbar, Muhammad Ali e Chris Evert, em Maio para uma exposição de benefíciencia que também contou com o trabalho artístico de crianças carentes que vivem em Watts.
A investigação é particularmente complicado porque os retratos roubados pertencem a um dos vários conjuntos que Warhol fez dos atletas. Cada conjunto tem um esquema de cores diferentes, mas eles parecem semelhantes. Weisman que é dono de vários conjuntos de si, disse a polícia. Hrycyk disse que a polícia está trabalhando para identificar os outros conjuntos num esforço para evitar a confusão com os retratos que estão faltando. O FBI e a Interpol, mantêm bases de dados de arte roubadas.
O valor total da obra não pôde ser imediatamente percebido. No entanto, Tyler Lemkin, director da Greenfield Sacks Gallery, em Santa Monica, recentemente abriu uma mostra de gravuras de Warhol, disse que as pinturas originais de Warhol sobre tela, tais como as que foram roubadas "começam no alto de seis números, ou US $ 1 milhão."
"Este é um grande negócio. Estamos falando de um principal coleccionador que perdeu uma quantidade significativa de arte importante", disse Lemkin.
Andy Warhol
"Ele não foi o artista que gostávamos que ele fosse"
Kristian Lupa, encenador polaco, ressuscitou Andy Warhol e a Factory. Mergulhou durante mais de um ano no universo do artista e das estrelas cadentes que gravitaram à sua volta. Daí saiu um espectáculo de oito horas. Andy continua vivo.
Andy Warhol teve um golpe de génio: desmontou o mistério da arte, dessacralizou-a. Krystian Lupa, encenador de "Factory 2" - espectáculo de oito horas sobre esse atelier em Nova Iorque onde tudo se passava nos anos 1960 - repete esta ideia numa conversa em Breslau, onde lhe foi entregue no início de Abril o Prémio de Teatro Europeu e apresentado "Factory 2". Andy Warhol continua inatingível: um mistério que nenhum espectáculo, nenhuma biografia consegue desvendar, defende Lupa, e a existir alguma teoria, essa seria a sua. No fundo, "Andy Warhol não foi o artista que gostávamos que ele fosse".
Seja o que for que Krystian Lupa gostasse que Andy fosse, isso resultou de um mergulho de mais de um ano no universo de Andy Warhol e das estrelas e proto-estrelas que gravitaram à sua volta. Não se sabe se essa foi a vontade do encenador, mas em "Factory 2" Andy Warhol (além da imagem cliché que temos dele, o exibicionista) é uma espécie de buraco negro de solidão a atrair pessoas iguais a si, alguém que vampiriza mas que protege ao mesmo tempo. (Na Polónia falou-se sobre o vampirismo e exibicionismo de Warhol como um auto-retrato de Lupa, mas isso é toda uma outra história).
"Factory 2" reproduz tal e qual o estúdio original onde Warhol estava entre 1962 e 1968. Mas Lupa, 66 anos, nunca quis fazer um espectáculo documental. Passeiam-se por lá Edie Sedgwick, Utra Violet, Brigid Berlin, Paul Morrissey, Ondin, Viva, Andrea Feldman, Mary Woronov, Holly Woodlawn, Freddie Herko, Eric Emerson, Jackie Curtis e Candy Darling, Nico... Que não são completamente Edie Sedgwick, Utra Violet, Brigid Berlin, Paul Morrissey..., são também um pouco dos actores que os interpretam.
Lupa seguiu a regra de Warhol nos seus filmes, a improvisação - "ele achava que da improvisação nasceriam novas realidades, novos seres, novos qualquer coisa". E passam vários filmes no palco, alguns originais, como "Blow Job" (alguém diz que o filme é chato e Andy diz: "Adoro coisas aborrecidas"), outros encenados com os actores de Lupa, como os "screen tests" a Nico.
Foram para os ensaios sem textos, estiveram mais de um mês a ver filmes de Andy com a ideia de pôr em cena aquilo que interessava ao encenador, "o sonho da Factory", onde todos eram "superstars". O sonho da Factory que é, também, de alguma forma, "o nosso sonho da América" - e ali há o culto de uma figura central, Andy, claro. Regras básicas: testes de câmara aos actores, inspirados nos filmes de Warhol e focados na ideia do "eu" e do exibicionismo, como explicou a dramaturga do espectáculo Iga Gancarczyk numa conversa em Breslau. "Na nossa aventura com o Andy alimentámo-nos vampiristicamente para fazer uma reencarnação e não uma recriação. Porque no fundo isto é qualquer coisa que faz viver de novo algo que está morto."
Na Polónia, como em Paris ou Londres, o espírito parece ser este: ressuscitar Andy Warhol.