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10/04/2012

MARINA ABRAMOVIC

Marina Abramović: The Artist is Present2012 • USA • 106 mins
Directed by: Matthew Akers

04/11/2011

MARINA ABRAMOVIC

Willem Dafoe e Marina Abramovic em cena da ópera "The Life and Death of Marina Abramovic".

A artista sérvia Marina Abramovic, uma das mais cultuadas no estilo performático, apresentou anteontem em Nova York um trecho do espetáculo "A Vida e Morte de Marina Abramovic", ópera que estreia em abril de 2012 no Teatro Real, em Madri.

O trabalho biográfico foi concebido por ela e Robert Wilson e inclui composições de William Basinski e Antony Hegarty, assim como apresentação do quarteto de mulheres liderado por Svetlana Spajic, que interpreta e compõe músicas inspiradas na cultura tradicional sérvia.

"A Vida e Morte de Marina Abramovic" teve pré-estreia no Festival Internacional de Manchester, em Julho.

A prévia do espectáculo em Nova York foi exibida durante homenagem a Basinski, dono do clube Arcadia, pioneiro na revitalização de Williamsburg, no bairro do Brooklyn, em Nova York.

Conhecida por performances radicais em que trabalha os limites do corpo, Abramovic interpretou "Sal em Minhas Feridas", feita para ela.

"Marina não canta. Robert Wilson a desafiou e ela aceitou. É destemida", disse Basinski. A homenagem foi organizada pelo Issue Project Room, que apoia artistas.

Para o director-geral Ed Patuto, o Arcadia tinha a proposta de deixá-los ousar, missão equivalente ao que o projecto assumiu actualmente.

O Issue Project conduz a reforma do prédio histórico na Livingston Street, no Brooklyn, projectado pelo escritório McKim, Mead & White. Será um centro para apresentação de artistas. O trecho do espectáculo de Abramovic foi encenado no prédio

16/07/2011

MARINA ABRAMOVIC

"Para mim só existe performance se existe vida. Documentação não é necessária, livros com registros não são vida. Por isso criei a série Seven Ease Pieces (Sete Peças Fáceis), uma seleção de trabalhos da década de 70 que posso refazer eu mesma ou que artistas pedem autorização para interpretá-las", diz.

Marina Abramovic nasceu em Belgrado, em 1946. É uma performer que começou sua carreira no início dos anos 70. Ativa por mais de três decadas, ela recentemente começou a se descrever como a “Avó da arte da performance".

O trabalho de Marina Abramović subdivide-se em duas partes: “Corpo do Artista”, em que a performance é executada por ela mesma, e “Corpo Público”, no qual ela pede ao público que participe da performance.

“Nós não ensinaremos só os artistas; nós também queremos educar o público.”

O trabalho da Abramovic explora a relação entre a performer e o público, os limites do corpo, e as possibilidades da mente colocando em risco a própria vida em algumas obras como: em “Rhytm” (1974), trabalho no qual a artista se deita sobre uma estrela de cinco pontas em chamas e “House” (2002), no qual permaneceu 12 dias sem comer na galeria Sean Kelly, em Nova York.

As performances de Marina Abramovic ((Belgrado, 1946) sempre estiveram no limiar da situação-limite: houve alturas em que teve uma arma apontada à cabeça, outras em que se manteve em silêncio 700 horas seguidas, outras ainda em que pegou fogo ao seu próprio corpo (e também já se apunhalou, já se deitou nua numa cruz de gelo, já tatuou uma estrela comunista na barriga com lâminas de barbear, já se chicoteou). Na próxima edição do Festival Internacional de Manchester, que decorre de 30 de Junho a 17 de Julho 2011, Marina Abramovic vai morrer: os bilhetes para os cinco funerais da performer montenegrina (dias 9, 11, 13, 15 e 16 de Julho) já estão à venda no "site" do festival.

"The Life and Death of Marina Abramovic" é uma biografia da mãe fundadora da performance encenada por outro guru das artes performativas, Robert Wilson. Em palco, além da própria, estarão Willem Dafoe, o narrador do espectáculo, e Antony Hegarty (dos Antony & The Johnsons), convidado a compor a banda sonora. Depois da estreia, em Manchester, "The Life and Death of Marina Abramovic" terá apresentações em Madrid (2012), Basileia e Amesterdão (2013).

Na segunda metade da década de 1990, afetada pelos conflitos dos Balcãs, sua terra de origem, para as questões da Sérvia e Montenegro, realiza a obra que lhe rendeu o Leão de Ouro em Veneza, “Balkan Baroque” (1997), no qual sentada sobre uma pilha de ossos de vaca, a artista, durante 6 horas de quatro dias seguidos, limpa-os com água, sabão e uma escova de metal, arrancando-lhes os últimos pedaços de carne e entoando algumas canções originárias da Sérvia e das ex-repúblicas Iugoslavas.

“Uma das razões por que faço essa performance de longa duração no século XXI, é também uma reação à geração mais nova, porque ela se tornou uma espécie de vítima da vida apressada. Tudo tem que ser produzido para esse ideal da vida corrida, de forma que possa ser rapidamente consumido. E eu acho que nos tornamos vítimas também, a arte, o corpo, esse tipo de coisa, porque a arte é consumida rapidamente como qualquer outro produto, como qualquer outra mercadoria.”

10/10/2010

MARINA ABRAMOVIC

Lisson Gallery, anunciou uma nova exposição de Marina Abramovic, a primeira mostra do trabalho de Abramovic na Galeria Lisson. Composta por duas obras novas e antigas, esta grande exposição irá explorar a saída corporal e cerebral do seu trabalho como uma artista performática.

Desde o início de sua carreira, em Belgrado, durante o início dos anos 1970,que Marina Abramovic tem liderado o caminho da performance como uma forma de arte visual. Descrito como "uma das artistas que define a performance radical", ela transcendeu origens provocativas do formulário e criou algumas das mais importantes obras do género.

Desafiando, intransigente e, muitas vezes chocantes, a prática duracional Abramovic continuamente experimentação e explora os limites de, tanto sua resistência física e mental e de seu público. Com o seu corpo como sujeito, ela testa a relação entre artista e o público, resistindo a exaustão, dor e perigo alterando a sua busca pelo emocional, libertador e consciente da transformação.

As performances de Marina Abramovic ((Belgrado, 1946) sempre estiveram no limiar da situação-limite: houve alturas em que teve uma arma apontada à cabeça, outras em que se manteve em silêncio 700 horas seguidas, outras ainda em que pegou fogo ao seu próprio corpo (e também já se apunhalou, já se deitou nua numa cruz de gelo, já tatuou uma estrela comunista na barriga com lâminas de barbear, já se chicoteou). Na próxima edição do Festival Internacional de Manchester, que decorre de 30 de Junho a 17 de Julho de 2011, Marina Abramovic vai morrer: os bilhetes para os cinco funerais da performer montenegrina (dias 9, 11, 13, 15 e 16 de Julho) já estão à venda no "site" do festival.

Em conexão com seu show na Galeria Lisson Marina Abramovic irá falar na Tate Modern como parte da série Talking Art, em colaboração com Art Monthly, a 16 de Outubro de 2010. Ela também estará participando na Serpentine Gallery's Map Marathon: Maps for the 21st Century, 16-17 de Outubro de 2010, um evento multi-dimensional com curadoria da Galeria Serpentine e Co-diretor Hans Ulrich Obrist.

23/03/2010

MARINA ABRAMOVIC 2010 no MOMA

Marina Abramovic leva a sua polémica até Nova York. Mais de três décadas, as performances da artista Sérvia, Marina Abramovic vem testando os limites entre artista e público e os limites do próprio corpo, por vezes arriscando a sua vida no processo. Na véspera de uma retrospectiva no MoMA, prepara-se para o que pode ser o seu desempenho ainda mais desafiador. Ficará 3 meses em silêncio sentada numa cadeira no meio do MoMA, o publico pode interagir com ela ,mas só com o olhar.

O Museu de Arte Moderna, vai acolher espectáculos diários de cinco obras seminais de Marina Abramovic.

Marina Abramovic “The Artist Is Present”.

A mostra da Jugoslava traz cerca de 50 trabalhos que causa polémica com suas performances, instalações, vídeos e fotografias.

Em Imponderabilia (1977), dois artistas estão opostos entre si ao natural, numa entrada estreita, o publico passará por entre os dois, o encontro potencialmente embaraçoso será a primeira exibição ao vivo de nus na história do museu. Embora o conceito original emparelhe um homem e uma mulher, ela agora planeia misturar os casais revezando-se e realizando Imponderabilia de modo que alguns sejam do mesmo sexo.

Com toda a justiça os americanos têm uma relação mais delicada com a nudez do que os europeus, mas Abramovic reconhece que, quando ela o seu colaborador e ex-amante, Ulay, executaram a peça num museu em Bolonha, Itália, a polícia apareceu e pediu para ver o seu passaporte, logo acabou com a performance.

Para justificar o nome da sua exposição, Marina vai fazer as performances durante toda o período em que estiver em cartaz, mesmo antes de abrir ao público e depois de encerrar(só não durante a noite).

São sete horas e meia por dia, cinco dias por semana, 10 horas na sexta-feira. Durante três meses. "A ideia é que estamos lá antes de o museu abrir, e estaremos lá quando o museu fechar", diz ela. "A atitude é a mesma em direcção a uma pintura, a performance está sempre lá. Isto nunca foi feito desta forma por três meses, nunca, na história.

36 artistas contratados vão rodar a cada duas horas e meia, enquanto Marina Abramovic irá realizar um novo trabalho sem parar durante as horas do museu e a duração da exposição.

Para Abramovic, a performance é inseparável da plateia. "Lembro-me de Martha Graham dizer, 'Onde quer que uma dançarina dance é uma terra santa." Eu digo,' Onde ficar a audiência é a terra santa. "Eu sempre quis que o meu público fosse tocado no nível mais profundo possível".

Talvez mais do que qualquer outro artista performático, Abramovic fez do seu público não apenas espectadores ou mesmo participante, mas cúmplice.

Rhythm 0 (em 1974)foi um exemplo inovador. Abramovic ficou passiva por seis horas, em Nápoles, Itália, os membros do público revezavam-se fazendo tudo o que ela queria para. Tinha estabelecido 72 objectos, incluindo uma pistola e uma bala, numa mesa para seu uso. Ainda tem uma cicatriz no peito da lâmina de faca e mostra-o como uma batalha ferida. Um homem sugou-lhe o sangue, um apontou a arma para ela, outro tomou distância.

Abramovic quis recriar o trabalho no Museu Guggenheim, em 2005, como parte do seu "Seven Easy Pieces ", show que o museu recusou, temendo pela sua segurança. "Todo mundo tem medo do povo aqui", diz ela.

Levando a arte além do espaço físico do museu, o site do MoMA transmite ao vivo as imagens da artista.

A vontade de colocar a sua vida em perigo poderia levantar questões sobre a sua sanidade mental ....

Acesse http://moma.org/interactives/exhibitions/2010/marinaabramovic/

28/12/2007

MARINA ABRAMOVIC

Quando pensamos nos significados da palavra épico, geralmente ficamos atados à idéia de um relato que envolve personagens heróicos e violência. Mas em seu trabalho é o erotismo que emerge com maior destaque. Qual é seu entendimento dessa relação?
Marina Abramović: A palavra épico carrega, certamente, um significado bastante tradicional. Mas ela também se refere a lendas e maneiras complexas de contar o passado. A série “Balkan Erotic Epic” elege o erotismo como tema, dispensando as lutas e os discursos impregnados de fatos históricos. Senti-me atraída por essa idéia porque em nossa cultura consideramos apenas um tipo de erotismo, ligado à pornografia e à banalidade. Sociedades como a brasileira, italiana e mexicana estão repletas disso. Na Itália não é necessário ver filmes eróticos, basta assistir à previsão do tempo na TV. Neles, as mulheres aparecem vestidas de uma maneira que as erotiza -com roupas curtas que as fazem exibir os seios. Há sempre essa vulgarização e caricatura do que possa ser o erótico.
O que você propõe em lugar disso?
Marina: Nos Bálcãs, antes do cristianismo, do comunismo e da democracia, em uma época bem distante, havia uma série de antigas tradições que de algum modo continuam vigentes em pequenos vilarejos de áreas isoladas da ex-Iugoslávia. Nelas, o erotismo era visto de um modo completamente distinto. O termo não tinha o mesmo sentido de hoje, já que os órgãos sexuais eram vistos como ferramentas para vários objetivos. Poderiam servir como um canal de contato com a energia divina e cósmica. Eram um meio de comunicação com os deuses, de depuração do mal e de cura.
Nunca vi nenhuma imagem relacionada a eles, porque não existem registros visuais disso. Há apenas contos e fábulas que circulam entre as pessoas e algumas práticas preservadas em áreas remotas. Usei essa informação toda e fiz minha própria versão do que pode ser o épico erótico balcânico, utilizando a linguagem contemporânea do vídeo para gravar a reencenação desses rituais.
Essa espécie de rituais pode ser compreendida hoje?
Marina: Todas as culturas apresentam algum exemplo delas. Na África, é famosa a tradição das mulheres que devem lançar seu sangue na terra em determinadas circunstâncias. Já no Brasil, temos o candomblé.
O que você tenta sugerir com o erotismo?
Marina: Mostro explicitamente falos e vaginas, mas não como uma revista pornográfica, e sim como um estímulo para que se reflita sobre isso de outra maneira. Em algumas religiões da Índia, o erotismo ainda está ligado à espiritualidade. Na cultura ocidental, porém, perdemos completamente isso. Um dos meus vídeos representa o ritual em que as mulheres de vários vilarejos, jovens e velhas, costumavam levantar as saias desesperadas, para mostrar as suas genitálias e tentar fazer parar a tempestade, antes que ela inundasse e arruinasse as plantações.
Outra obra importante é a que exibe uma fileira de homens com o pênis ereto, enquanto uma mulher canta. Não costumamos ver o órgão masculino ereto e estático nos filmes, ele sempre está envolvido no ato sexual ou escondido. Quando o mostramos desse modo, transformamos tudo e as pessoas começam a pensar sobre o tipo de energia que o pênis simboliza. Força masculina que pode levar à guerra e à violência, mas também ao amor e à ternura. É algo que podemos modificar e empregar de maneiras distintas, especialmente em afirmativas nacionalistas, representando a dignidade e o orgulho da nação. A canção no vídeo fala de guerra e dá outro significado para a imagem.
Dá para imaginar que foi difícil conseguir filmar esses trabalhos. Como foi a seleção de elenco?
Marina: Para produzir esses vídeos levei dois anos para encontrar as pessoas certas, uma vez que não usei atores. Eram todos moradores da região de Belgrado. O making of desse trabalho é hilário. Foi um inferno explicar ao elenco como deveria representar esses rituais. Mas não só isso, como também conseguir que o grupo acreditasse realmente no que estava fazendo. No começo, as mulheres do vídeo da chuva pareciam apenas estar correndo de um lado para o outro de modo ridículo. Só mais tarde a cena atingiu um aspecto verdadeiro. Algumas mulheres selecionadas conheciam essas histórias que haviam ouvido das avós. Especialmente as mais velhas. Mas para elas também não era fácil exibir a vagina. Então, conversei com elas e tive que mostrar como deveria ser feito. A comunicação foi importante para que eu estabelecesse a confiança. Em outras cenas, sou eu mesma que atuo.
O que você pensa sobre o valor sagrado atribuído a vida?
Marina: Os seguidores da religião sufista têm um entendimento interessante sobre isso. Eles dizem que a vida é um sono e a morte é o despertar. O contrário do que pensamos. No catolicismo e cristianismo em geral, sempre sentimos culpa por fazer algo e devemos cultuar alguém que está apartado de nossa realidade. Tenho bastante interesse pelo budismo tibetano, porque não parece uma religião, mas sim uma ciência da mente. Aprecio a idéia de que não necessitamos de nada para ser exaltado fora de nós mesmos, uma vez que já somos completos.
Somos o corpo e o universo ao mesmo tempo. Essa é uma das razões por que venho fazendo performances durante as últimas décadas: há muito para ser descoberto dentro de nós mesmos, para que entendamos como funciona todo o resto. Cada mineral ou substância do cosmos está presente no ser humano. Não necessitamos olhar para fora, mas sim para dentro. Não sou religiosa, porque para mim a religião é uma instituição, e não gosto de instituições. Acredito na verdade em energias e espírito.
Você falou sobre antigos rituais de cura e dos atuais problemas da sexualidade. Que papel os genitais podem ter no mundo de hoje?
Marina: Deveríamos voltar ao passado e redescobrir o poder do erotismo e dos nossos órgãos sexuais. Na filosofia tantra, vários exercícios utilizam o sexo para a conquista da iluminação. A energia sexual é a única que temos, não há nada além. É a responsável pela reprodução, que dá origem a uma nova vida. Podemos confiar em outra coisa, achar que a energia intelectual nos levará à espiritualidade. Mas a energia verdadeira é a sexual, embora não saibamos como utilizá-la. São raras vezes em que compreendemos bem do que estamos falando.
Esse problema se deve a nosso modo de vida, à nossa falta de tempo. Apesar de termos desenvolvido a tecnologia para estarmos menos ocupados, não temos tempo, não sentimos o ambiente e o magnetismo da terra, porque a cobrimos com concreto, mármore e carpetes. Estamos cada vez mais distantes da natureza e da nossa própria intuição. Creio que uma das funções da arte é apontar para outra direção. Mesmo que não consiga responder todas as questões, pelo menos fornece pistas e amplia a consciência.
Qual é a sua opinião sobre as restrições ao sexo como formas de controle político?
Marina: É a coisa mais monstruosa que temos! Creio que muitas guerras são baseadas não apenas em razões políticas, mas também em repressão sexual. Porque quando não há um uso saudável dessa energia, a sociedade se torna doentia. Mas o mundo não é preto e branco e o erótico está imerso em muitos fatores. Não digo que se as pessoas não fazem sexo, iniciam a guerra. Mas, com certeza, isso é uma parte do processo. Nos países muçulmanos, as limitações à energia sexual e à mulher são tão severas que conduzem a situações bastante nocivas.
As tradições do passado impunham ritos e regras ao erotismo. O sexo sem orientações, totalmente livre, não é arriscado também?
Marina: O excesso de qualquer coisa é perigoso. Uma taça de vinho está bem, mas beber três garrafas pode ser ruim. Se você faz sexo 20 vezes ao dia torna-se uma obsessão. É uma questão de saber a medida. Porque de outro modo chegamos a um desequilíbrio antinatural. Isso não quer dizer que tenhamos de ser monogâmicos ou poligâmicos. Porém cada um deve ter a liberdade de viver e satisfazer seu desejo de modo balanceado e com envolvimento emocional, pois não creio que se possa amar dez pessoas em uma mesma semana.
Além disso, temos que considerar o contexto geral, que não se limita a fazer sexo ou não, mas sim ao que praticamos como seres humanos. Necessitamos entender nossa própria energia e qual é a nossa finalidade neste mundo. Esse sempre foi o meu maior questionamento. O sexo faz parte desses propósitos, não é algo isolado.
O que deve ser feito então?
Marina: Minha idéia é de que todos necessitam “limpar a casa”, ou seja, purificar a si mesmos. Nos esquecemos de que o corpo é uma casa, onde costumamos enfiar muito lixo. Temos que nos esvaziar para que possamos receber. Se não, viveremos como lixeiras abarrotadas em que não se pode incluir nada. Essa limpeza evoca o ascetismo, doutrina em que as pessoas passam um tempo sem comer e sem falar, apenas bebem água e meditam. Carecemos da natureza mais do que em qualquer período anterior.
A vida urbana é uma armadilha. Todos são neuróticos, ninguém tem tempo. O Dalai Lama disse uma vez que não quer reencarnar mais. Ele pergunta a seus discípulos por que fazê-lo? Não há sentido, a Terra está rumando para um desastre terrível. Tantos ainda terão de morrer nas guerras para que a consciência da sociedade evolua do atual estado de paralisia e as pessoas entendam o mal que estão causando…
Em várias performances anteriores, você colocou em risco o seu próprio corpo. Gostaria de lhe perguntar sua opinião sobre a dor física e a dor mental.
Marina: A dor não é importante, mas sim o medo que sentimos dela. Porque o temor é inimigo óbvio do ego. Nosso medo é permanente porque somos temporários e vamos morrer. Então, temos de analisar e entender isso. Chegar o mais perto possível da morte para compreender melhor como ela é e nos livrarmos do medo da dor. Em uma performance, represento a dor, não a encontro por acaso. Quando a mostro ao público, é como se ele pudesse olhar em um espelho e ver que pode suportar o mesmo que eu consigo suportar. A questão mais relevante é que nunca vivemos no momento presente, sempre estamos pensando no passado ou no futuro. Mas o agora é mais importante, porque é o único tempo seguro. O passado já foi e o futuro ainda não aconteceu. Em uma performance, é preciso que se tomem atitudes extremamente arriscadas para concentrar a atenção no presente. Um instante em que eu e o público realmente nos vemos, nos comunicamos e elevamos o espírito.
Existem muitas performances ruins, que não surtem resultados, embora os espectadores sintam o medo, a insegurança ou a sedução. Se você tem a disposição de executar algo tão ousado, então o tempo pára. Costumo realizar performances longas e essa dilatação do tempo está incluída. Não quero que o público passe um momento comigo observando uma apresentação. Desejo que se esqueçam do tempo, que estejam em um espaço atemporal. Alguns pensam que performance é entretenimento, mas não é. A verdadeira performance é um inferno, tanto para o artista quanto para quem assiste.
Publicado em 4/11/2006

MARINA ABRAMOVIC













“Deveríamos redescobrir o poder do erotismo e dos órgãos sexuais”, diz a artista Marina Abramovic
A aposta nos impulsos irracionais foi um dos aspectos determinantes de várias obras da pioneira das performances Marina Abramovic. Ao longo de sua carreira, a artista desafiou as capacidades físicas e mentais do corpo, colocando sua integridade em risco com atos de violência calculada. Sob o impacto das guerras na ex-Iugoslávia, a artista voltou-se na última década à reflexão sobre os conceitos de nacionalidade, territorialidade e história da região onde nasceu. Os sete vídeos de “Balkan Erotic Epic”, expostos no Sesc Pinheiros, em São Paulo, evocam o poder de cura humana, de intervenção na natureza e de comunicação com Deus atribuído à sexualidade em rituais descobertos por ela em manuscritos dos séculos XIV a XIX. A mostra em cartaz de outubro a novembro foi organizada pela Art of the World e Hangar Biccoca, com a curadoria de Adelina von Fürstenberg.
Os vídeos mostram a reencenação das antigas práticas eróticas. Homens com trajes tradicionais exibindo o pênis ereto ou copulando com a terra. Mulheres massageando os seios enquanto contemplam o céu ou encharcadas pela chuva, cobertas de lama, expondo a vagina para a terra. São situações de exposição e busca de amparo por meio do prazer. A conquista da soberania do sujeito torna-se um exercício de dimensão lírica e aberta aos relacionamentos com o outro e a natureza.


MARINA ABRAMOVIC


A artista Jugoslava(Sérvia) adquiriu um teatro em Hudson, Manhattan,onde planeia criar uma fundação sem fins lucrativos,quer que funcione como centro de pesquisa,convidar artistas,cientistas,filósofos,pessoas que usam o corpo como forma artistica,e trocar ideias e a criação pode surgir.Diz que este sonho é uma Factory de ANDY WARHOL sem drogas.

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