Adaptações de BD do século XXI.
– OLDBOY (2003), de Park Chan-wook
Um dos melhores, mais visionários e marcantes filmes dos últimos anos, Oldboy foi adaptado a partir da manga de Garon Tsuchiya mas serviu na perfeição a ideia de Park Chan-wook de criar uma trilogia inteiramente dedicada aos temas da vingança, violência e salvação, que seria convenientemente intitulada ‘The Vengeance Trilogy’ e a que Chan-wook havia dado início no ano anterior com Sympathy for Mr. Vengeance, encerrando-a em 2005 com Lady Vengeance. A tradução, não apenas do imaginário de Tsuchiya para o cinema mas também da sociedade e cultura japonesa para a coreana, foi perfeita, com Chan-wook a servir-se da história de um homem aprisionado durante 15 anos sem razão aparente que, quando finalmente libertado, lança-se numa campanha de vingança e destruição imparável.
– GHOST WORLD (2001), de Terry Zwigoff
histórias aparentemente banais, centradas em pessoas comuns sem poderes, destinos ou ambições grandiosas), esse filme é Ghost World. Adaptado da influente BD homónima de Daniel Clowes, que seguia o dia-a-dia de duas adolescentes melhores amigas, Enid e Rebecca, cínicas por natureza, que passavam os dias a criticar e rebaixar tudo e todos enquanto vagueavam pela sua típica cidade americana (consumista e desligada por natureza), a primeira incursão de Terry Zwigoff pela ficção (depois do documentário Crumb, também centrado no mundo da BD) é uma pequena maravilha do cinema independente.
– PERSEPOLIS (2007), de Vincent Paronnaud & Marjane Satrapi
Único filme de animação desta compilação, Persepolis distingue-se também por ser a adaptação mais politicamente relevante aqui presente, funcionando igualmente como uma extensão da extremamente pessoal e autobiográfica BD de Marjane Satrapi, que contava a história desta enquanto criança e jovem no Irão, antes de emigrar para França. Mais que uma simples BD, trata-se de um olhar privilegiado, vindo de alguém com conhecimento de causa, de um dos períodos mais política e socialmente conturbados da história – a revolução Islâmica – e das suas consequências para os defensores da liberdade, como era o caso da família de Satrapi.
– SIN CITY (2005), de Frank Miller & Robert Rodriguez
adaptação mais fiel e literal desta lista, ver Sin City é praticamente equivalente a ler a BD neo-noir de Frank Miller. Melhor descrito como uma tradução BD-cinema, com cada frame a replicar com uma precisão incrível as páginas de Miller, o filme é interpretado de forma completamente diferente por parte de quem já leu a BD e de quem não o fez, precisamente devido a essa lealdade extrema em termos de diálogos, cenas e enquadramentos, deixando pouco à imaginação no caso dos primeiros.
- A HISTORY OF VIOLENCE (2005), de David Cronenberg
Outra história feita para ser contada no cinema, e que normalmente surpreende muita gente que descobre tratar-se de uma adaptação, A History of Violence foi uma transição quase perfeita da BD de John Wagner e Vince Locke para o cinema, mantendo-se até hoje como um dos melhores filmes da última década, bem como um desvio surpreendente e justificado de David Cronenberg
A internet é hoje em dia o reflexo daquilo que somos para o bem e para o mal. Eu criei este blogue com o objectivo de falar sobre a cultura pop - musica, cinema, livros, fotografia, dança... porque gosto de partilhar a minha paixão, o meu conhecimento a todos. O meu amor pela música é intenso, bem como a minha curiosidade pelo novo. Como não sou um expert em nada, sei um pouco de tudo, e um pouco de nada, o gosto ultrapassa as minhas dificuldades. Todos morremos sem saber para que nascemos.
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29/01/2011
Adaptações de BD do século XXI
Adaptações de BD do século XXI:
– 300 (2006), de Zack Snyder
blockbuster no sentido literal da palavra deste lote, 300 mereceria um lugar nele apenas pelo que fez em termos visuais, mesmo que não fosse um bom filme. Por vezes demasiado leal à BD de Frank Miller – inclusivamente no seu aspecto, filmado em grande parte através da técnica chroma key e com uma quantidade de slow-motions propositadamente exagerada -, uma modernização ultra-estilizada da mítica Batalha de Termópilas.
– ICHI THE KILLER (2001), de Takashi Miike
Ichi the Killer é algo saído directamente da mente depravada e brilhante de Takashi Miike, mas na realidade é uma adaptação de uma manga de Hideo Yamamoto, repleta de tudo aquilo em que o filme é igualmente rico: violência, sangue, sexo, drogas, tortura e gore. Um filme chocante e depravado, segundo mesmo os critérios de alguém com um estômago forte, e nada recomendado àqueles susceptíveis a imagens gráficas, segue um homem sádico, Ichi (Nao Ohmori), cuja única gratificação provém do sofrimento dos outros.
– AMERICAN SPLENDOR (2003), de Shari Springer Berman & Robert Pulcini
Em meados dos anos 70, Harvey Pekar, um anónimo e misantropo funcionário público de Cleveland, Ohio, decidiu escrever uma BD sobre a sua vida. Chamava-se American Splendor e era sobre tudo e ao mesmo tempo nada, retratando o dia-a-dia de Pekar, rico em situações caricatas e relações atribuladas com amigos, colegas e a sua terceira esposa, Joyce. O sucesso da BD, publicada em intervalos irregulares ao longo de mais de 30 anos, fez de Pekar uma celebridade,
– ROAD TO PERDITION (2002), de Sam Mendes
Muito mais perto de um noir americano das décadas de 40 ou 50 do que algo nascido na forma de uma novela gráfica, Road to Perdition era já algo tremendamente cinemático antes de existir. A série de livros criados por Max Allan Collins e publicados pela DC Comics no final dos anos 90 baseavam-se fortemente na influente e revolucionária manga Lone Wolf and Cub e pareciam um The Godfather da BD, com temas como a vingança, o crime, a lealdade, o pecado e a redenção examinados de perto com a Grande Depressão americana como plano de fundo.
– AZUMI (2003), de Ryûhei Kitamura
Adaptado da manga de Yu Koyama, publicada pela primeira vez em 1994, e realizado por Ryûhei Kitamura (autor do filme de culto Versus), Azumi centra-se exactamente nos mesmos temas que a manga, passando-se igualmente no Japão Feudal e seguindo um grupo de órfãos criados com o objectivo de se tornarem assassinos,
– 300 (2006), de Zack Snyder
blockbuster no sentido literal da palavra deste lote, 300 mereceria um lugar nele apenas pelo que fez em termos visuais, mesmo que não fosse um bom filme. Por vezes demasiado leal à BD de Frank Miller – inclusivamente no seu aspecto, filmado em grande parte através da técnica chroma key e com uma quantidade de slow-motions propositadamente exagerada -, uma modernização ultra-estilizada da mítica Batalha de Termópilas.
– ICHI THE KILLER (2001), de Takashi Miike
Ichi the Killer é algo saído directamente da mente depravada e brilhante de Takashi Miike, mas na realidade é uma adaptação de uma manga de Hideo Yamamoto, repleta de tudo aquilo em que o filme é igualmente rico: violência, sangue, sexo, drogas, tortura e gore. Um filme chocante e depravado, segundo mesmo os critérios de alguém com um estômago forte, e nada recomendado àqueles susceptíveis a imagens gráficas, segue um homem sádico, Ichi (Nao Ohmori), cuja única gratificação provém do sofrimento dos outros.
– AMERICAN SPLENDOR (2003), de Shari Springer Berman & Robert Pulcini
Em meados dos anos 70, Harvey Pekar, um anónimo e misantropo funcionário público de Cleveland, Ohio, decidiu escrever uma BD sobre a sua vida. Chamava-se American Splendor e era sobre tudo e ao mesmo tempo nada, retratando o dia-a-dia de Pekar, rico em situações caricatas e relações atribuladas com amigos, colegas e a sua terceira esposa, Joyce. O sucesso da BD, publicada em intervalos irregulares ao longo de mais de 30 anos, fez de Pekar uma celebridade,
– ROAD TO PERDITION (2002), de Sam Mendes
Muito mais perto de um noir americano das décadas de 40 ou 50 do que algo nascido na forma de uma novela gráfica, Road to Perdition era já algo tremendamente cinemático antes de existir. A série de livros criados por Max Allan Collins e publicados pela DC Comics no final dos anos 90 baseavam-se fortemente na influente e revolucionária manga Lone Wolf and Cub e pareciam um The Godfather da BD, com temas como a vingança, o crime, a lealdade, o pecado e a redenção examinados de perto com a Grande Depressão americana como plano de fundo.
– AZUMI (2003), de Ryûhei Kitamura
Adaptado da manga de Yu Koyama, publicada pela primeira vez em 1994, e realizado por Ryûhei Kitamura (autor do filme de culto Versus), Azumi centra-se exactamente nos mesmos temas que a manga, passando-se igualmente no Japão Feudal e seguindo um grupo de órfãos criados com o objectivo de se tornarem assassinos,
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