19/08/2009

Miles Davis

Álbum de 1959 criou um novo patamar musical e recolocou o jazz no eixo da música popular. É como a Bíblia - tem-se uma cópia em casa.O escritor Ashley Kahn, que dedicou ao disco um livro inteiro (Kind of Blue,em 2007), disse: "Quatro décadas depois da gravação, Kind of Blue é o melhor disco da sua era, de jazz ou de qualquer outro estilo". O trompetista norte-americano Miles Davis lançou a 17 de Agosto de 1959 um álbum que seria um marco na história do jazz, considerado como o álbum definitivo de jazz, universalmente reconhecido como padrão de excelência. "Kind of Blue" foi o disco de jazz que mais cópias vendeu: cerca de vinte milhões - e ainda hoje vende uma média de 5 mil semanalmente. Segundo Jimmy Cobb, o baterista do sexteto que o tocou, "Kind of Blue" foi "feito no céu". Um marco não só da história do jazz, mas também da história da música, diz o pianista Herbie Hancock. O disco foi gravado em apenas duas sessões no 30th Studio da Columbia Records. Em 2 de Março de 1959, foram gravadas as faixas «So what», «Freddie Freeloader» e «Blue in green»; em 22 de abril, foi a vez de gravar «Flamenco sketches» e «All blues», completando o LP. Os músicos, além de Miles Davis (trompete), foram os saxofonistas John Coltrane e Julian «Cannonball» Adderley, o pianista Bill Evans (seria substituído em «Freddie Freeloader» por Wynton Kelly), o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Jimmy Cobb. O único branco do sexteto era Bill Evans. O disco representa o improviso no seu estado mais puro. "Miles Davis concebeu estas músicas apenas horas antes da gravação e chegou com esboços que indicavam ao grupo o que era para ser tocado. Assim, vai ouvir algo perto à pura espontaneidade nestas actuações. O grupo nunca tocara estas músicas antes da gravação e creio que, sem excepção, a primeira execução completa de cada uma foi um 'take'", escreveu Bill Evans no texto de apresentação da capa do álbum. Bill Evans comparou a execução de "Kind of Blue" a uma disciplina da pintura japonesa em que o artista tinha de pintar a preto num pergaminho estreito, sem possibilidade de fazer correcções. Também a técnica usada por Miles foi revolucionária: o "Jazz Modal": em vez da mudança de acordes do bebop, usava-se só uma escala. Apesar de aparentemente limitar o movimento, dava uma liberdade infinita ao músico.

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