11/03/2009

TOM ZÉ

Fabricando Tom Zé. O documentário molda o retrato real do artista baiano por meio de entrevistas e cenas de tourné. DVD OVELHA DESGARRADA do rebanho tropicalista, Tom Zé ainda tem a relação mal resolvida com Caetano Veloso e Gilberto Gil, 40 anos depois do auge do movimento arquitectado pelos baianos. A mágoa transparece no documentário Fabricando Tom Zé. Desde que estreou em festivais, em 2006, o filme de Décio Matos Jr. coleciona elogios por expor, com humor, o universo particular do compositor. O diretor constrói perfil confiável de Tom Zé a partir de cenas e entrevistas captadas em turnê feita pelo artista na Europa, em 2005. Sem receio de ser politicamente incomodo, o cantor expõe a sua dor pelo exílio de duas décadas que lhe foi imposto no mercado brasileiro. E que talvez perdurasse até hoje caso o norteamericano David Byrne não tivesse descoberto acidentalmente discos de Tom Zé no fim dos anos 90 e não os tivesse reeditado por seu selo Luaka Bop, o que deu visibilidade mundial ao baiano. Foi pelo aval de Byrne que a carreira de Zé ganhou novo fôlego, sem que o artista adoptasse tom mais comedido. Ao contrário. A cena mais hilária do filme é a em que ele espinafra um técnico que não entendia suas instruções na passagem de som de um show no Festival de Montreux, na Suíça. Ao se recusar a fabricar imagem idealizada de Tom Zé, o documentário impõe-se como um dos melhores do genero no Brasil.

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