A internet é hoje em dia o reflexo daquilo que somos para o bem e para o mal. Eu criei este blogue com o objectivo de falar sobre a cultura pop - musica, cinema, livros, fotografia, dança... porque gosto de partilhar a minha paixão, o meu conhecimento a todos. O meu amor pela música é intenso, bem como a minha curiosidade pelo novo. Como não sou um expert em nada, sei um pouco de tudo, e um pouco de nada, o gosto ultrapassa as minhas dificuldades. Todos morremos sem saber para que nascemos.
05/03/2009
PATTI SMITH
Patti Smith: Dream of Life": O documentário sobre a "madrinha do punk"
O filme acompanha 11 anos da vida de uma das vozes mais emblemáticas da música alternativa norte-americana.
Durante 12 anos, o fotógrafo Steven Sebring acompanhou a cantora com uma pequena câmara. 'Patti Smith: Dream Of Life', o filme que daí resultou, não é um típico documentário musical, mas antes um retrato da mulher, do seu mundo, da poesia e da música que dela fez um ícone
O documentário estreia-se amanhã em Portugal
Este não é um típico documentário musical. A música, naturalmente, marca presença, mas está longe de ser o elemento protagonista na história que se conta. Patti Smith: Dream Of Life é antes um olhar pessoal que resulta de 12 anos de amizade, acompanhada de muito perto por uma câmara, entre um fotógrafo (e agora realizador) e a mulher que muitas vezes é referida como a "madrinha do punk".
Na verdade, quando Patti Smith e o realizador Steven Sebring se conheceram, em 1995, não havia ainda um filme no horizonte. "Não estava interessado em fazer um documentário musical. De resto, nem estava sequer a pensar em fazer um documentário", confessou Sebring em entrevista ao DN. Conheceram-se através de Michael Stipe, dos R.E.M., um amigo comum. "A Patti estava a regressar à música e nessa altura eu sabia muito pouco sobre ela. Pareceu--me logo uma pessoa muito interessante. E quando depois a vi a actuar fiquei espantado. Comecei então a filmá-la", recorda.
Sem nenhum plano, foram-se encontrando. Em casa, em concertos, entre amigos. "Fui apenas filmando, filmando, experimentando ideias", relata o realizador, que a dada altura deu por si "a pensar como iria depois montar aquelas imagens e transformar tudo aquilo num filme". Foram conversando. E a dada altura Patti Smith disse-lhe que estava pronta para fazer um filme.
Passaram 12 anos. Com muitos instantes registados por apenas uma pequena câmara. "Tornámo-nos amigos... Na maior parte das vezes que estivemos juntos eu nem sequer tinha uma câmara. Era um ambiente cool. E não pensávamos em deadlines. É quando se começa a pensar no tempo que se perde muito deste clima", explica o realizador. A proximidade entre ambos contribuiu para a ideia em construção. E abriu as portas da intimidade familiar de Patti Smith à câmara de Sebring. "Gostava que mais filmes sobre artistas mostrassem esse lado mais pessoal. Senti-me como se estivéssemos a fazer filmes caseiros. E mais tarde, quando comecei a montar o filme, verifiquei que havia ali mesmo algo muito pessoal. Estavam ali as suas histórias, contadas nas suas palavras, naquela sua voz", explica. Além disso, acrescenta, "queria fazer algo experimental". Ou, como descreve, "descobrir algo através da lente" da sua câmara.
Da proximidade resultou a descoberta de mais que apenas um ícone rock'n'roll. "Ela podia ser também uma grande actriz. É, na verdade, uma figura relativamente desconhecida. No filme procuramos a visão humanista. Não exploramos nada... Não há sexo nem drogas... É um filme sobre um ser humano, que mostra o que é o seu mundo". O realizador acrescenta ainda que este "é um filme poético." Porque, como diz, pensa em Patti Smith "em primeiro lugar pela poesia". E reforça: "A sua música vem da sua poesia." É em parte por isso mesmo que o filme não "fala tanto sobre a música". A música, defende Sebring, " foi apenas a cereja sobre o bolo. E para falar da sua música há os discos, que as pessoas podem comprar e ouvir".
Era, contudo, inevitável a presença da música no filme. Sebring reconhece que sabia que teria de usar momentos de actuações ao vivo. "Mas havia razões pelas quais não queria que surgissem com maior protagonismo. Não se ouvem canções na íntegra. Apenas esboços. As pessoas talvez esperassem que as imagens de concertos iam aparecer, mas eu não quis ser previsível", justifica.
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