Somos homens-máquina. Vivemos num mundo dominado por elas e para elas. Perdemos emprego para as máquinas. Dois alemães de Düsseldorf criaram todo o seu conceito musical em volta da tecnologia. Ralf Hütter e Florian Schneider faziam parte da cena musical alemã nos finais dos anos 60, como os Can, Amon Düül, Ash Ra Tempel, Tangerine Dream, Guru Guru, entre outros. Mais tarde rotulados de krautrock, esta geração de músicos vinha de uma formação clássica e observava o rock como uma forma de transgredir valores mais eruditos. Influenciados quanto James Brown, Velvet Underground ou Ornette Coleman, foram os primeiros a querer fazer vanguarda com o rock, enquanto os ingleses se "viravam"para o psicadelismo, metal e o para o rock progressivo.
No começo daquela cena estava o quinteto psicadélico, Organisation, que contava com Ralf e Florian, e veneravam Syd Barrett. Dos Organisation, o único traço que ficou na carreira era a necessidade de transgredir as regras do rock. Com seu novo grupo, os Kraftwerk “fábrica de força” em alemão ?? passaram a adicionar elementos electrónicos ,e a tentar organizar, o caos do rock. A banda no começo da carreira incluia o guitarrista Michael Rother e o baterista Klaus Dinger, que deixariam a banda depois de dois discos, para formar os também lendários Neu!.
Como Kraftwerk, Ralf e Florian editam, Kraftwerk 1 e Kraftwerk 2 (com um cone de trânsito verde e vermelho nas capas, ), no inicio dos anos 70. Com a saída de Rother e Dinger, os dois gravam um terceiro disco, mas assinando como Ralf und Florian, no estúdio da banda, KlingKlang. Em 1974 gravam um dos seus melhores albums Autobahn, já com dois novos membros, os percussionistas Klaus Roeder e Wolfgang Flür.
O grupo aparece com um novo visual cabelos curtinhos, barba bem feita e um olhar distante, vazio, assinado por Emil Schult, que passou a dedicar-se á imagem visual da banda, das capas dos disco aos shows, além de escrever as letras, dando-lhe o título de “quinto Kraftwerk”. Os próximos discos, Radioactivity, de 1975 e Trans-Europe Express, de 1977, fariam pelas ondas de rádio e pelo sistema ferroviário europeu, o que Autobahn fez com os carros e as auto-estradas.
Os Kraftwerk têm uma influencia importante na história da música pop, desde o movimento new-romantic inglês (Duran Duran, Human League), o technopop (Depeche Mode), o industrial (Nine Inch Nails), parte da new wave (Fall, B-52’s, Devo), a fase Berlim de Iggy Pop e David Bowie (e robotização de Brian Eno), a disco music (Giorgio Moroder, Donna Summer), a pop robô de Gary Numan, o electropop dos New Order, os electrofunks Planet Rock (Afrika Bambaataa) e Trouble Funk Express (Trouble Funk) e o techno de Detroit (Mantronix, Cybotron, todos devem um pouco da sua existência aos alemães Kraftwerk.
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