Críticos literários de várias partes do mundo escolheram em 2002, o livro Dom Quixote de La Mancha, escrito por Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616) de 1602, como a melhor obra de ficção de todos os tempos. Um dos livros mais traduzidos da literatura mundialCervantes satirizou os romances da cavalaria que continuaram a desfrutar de grande prestígio na Espanha do século XVII. O livro foi concebido nos anos de transição dos reinados de Filipe II e Filipe III. No momento de elaboração da obra acentua-se a aguda crise económica do império Habsburgo, no seu ramo espanhol. O fim do século XVI e o início do XVII foram marcados por duas bancarrotas da monarquia — 1596 e 1607 —, sem falar na peste que dizimou um terço da população mundial no mesmo período. Entre os anos de 1606 e 1610 a competição entre ingleses e holandeses fez com que as transações comerciais da Espanha com suas possessões na América declinassem 60 por cento. Aliás, a crise económica espanhola reflectiu-se duramente sobre Cervantes, viveu pobremente os seus últimos anos.
"Todas as coisas humanas têm dois aspectos... para dizer a verdade todo este mundo não é senão uma sombra e uma aparência; mas esta grande e interminável comédia não pode representar-se de um outro modo. Tudo na vida é tão obscuro, tão diverso, tão oposto, que não nos podemos assegurar de nenhuma verdade."Erasmo – Elogio da Loucura, 1509
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