19/07/2008

JAN FABRE

Jan Fabre/Marina Abramovic e a morte do homem.
Desenhista, artista plástico, coreógrafo, homem da arte... são muitas as definições e talentos deste belga, que tanto domina a arte contemporânea. A direcção do Museu mais rico do mundo,o Louvre convida Jan Fabre para uma “ocupação” do 2° andar -uma semi-retrospectiva da carreira de Jan Fabre, com cerca de 30 trabalhos datados de 1970 a 2008. "O Anjo da Metamorfose " uma das exposições mais polémicas dos ultimos tempos em França, apresenta toda a polivalência e “metamorfoses” que caracterizam a sua obra numa “dramaturgia mental” declinada em: pintura, performance, escultura, desenho, instalação e vídeo. Á entrada da Ala Richelieu já está a explicar-nos ao que vamos:cabeça a bater contra uma pequena tela pendurada na parede e uma poça de sangue em volta dos pés,ali está ele á porta da sua exposição,em auto-retrato,numa escultura que o representa,como anão a esmagar-se contra um gigante, um gigante que é a História da Arte. Há medida que se avança nas salas ,há um uma "pietá " do séc.XV, atribuida a Jean Malavel ,lado a lado com Fabre no corpo de um monge enforcado e esfaqueado,machado enterrado nas costas, prego espetado na cabeça, espingarda apontada ás costas-um trabalho na sequencia das longas séries de desenhos feitos a sangue que o artista começou a desenvolver nos anos 1970. Isto e uma quimera couraçada:pernas de pau,corpo de armadura medieval e exuberante cabeça de pássaro feita de escaravelhos verdes e vermelhos. Segue-se outra sala, o artista sentado numa mesa de trabalho como o seu antepassado Jean-Henry Fabre, uma escultura em pionaises dourados ou ainda representado morto sobre uma mesa/altar, em pionaises que parecem os espinhos de Cristo. O artista morre e ressucita como toda a cultura cristã do Ocidente europeu. Desenha a sangue as suas “My body, my blood, my landscape”, que estão expostas lado a lado com o retábulo de Saint-Denis de Henry Bellechose . Jan Fabre joga com a surpresa do visitante que encontra os seus “Money Collages” expostos entre naturezas mortas, e ainda uma das peças mais notáveis que é a impressionante escultura “Aura-t-il toujours les pieds joints”, uma figura de cavaleiro-múmia contemporâneo. A exposição engloba ainda alguns trabalhos em instalação-vídeo como o que resultou da sua colaboração com Marina Abramovic (vejam o post que dela aqui no blog) “Virgin/Warrior, Warrior/Virgin” e o mais recente “Le Problème”, protagonizado pelos dois filósofos alemães, Peter Sloterdijk e Dietmar Kamper. A obra 'Auto-retrado do maior verme do mundo', do artista , causa estranhamento entre os visitantes da exposição . Fan de Jan "Se procurarmos nos autores alguns ensinamentos sobre os humores do Escaravelho sagrado, em particular, ou sobre os animais que fazem rolar pequenas esferas de excrementos, descobrimos que a ciência mantém ainda alguns dos preconceitos que a seu respeito subsistem desde o tempo dos Faraós.” Jean-Henry Fabre, “Souvenirs Entomologiques”, volume I, Edições Robert Laffont, Paris, 1989, pag. 141.

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