A internet é hoje em dia o reflexo daquilo que somos para o bem e para o mal. Eu criei este blogue com o objectivo de falar sobre a cultura pop - musica, cinema, livros, fotografia, dança... porque gosto de partilhar a minha paixão, o meu conhecimento a todos. O meu amor pela música é intenso, bem como a minha curiosidade pelo novo. Como não sou um expert em nada, sei um pouco de tudo, e um pouco de nada, o gosto ultrapassa as minhas dificuldades. Todos morremos sem saber para que nascemos.
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08/06/2013
PRIMAVERA SOUND 2013 PORTO- FOTOS
Pernas Para Que Te Quero no Optimus Primavera Sound 2013: fotogaleria
Agora que já viu todas as fotos das bandas que tocaram ao vivo no Optimus Primavera Sound, descubra o calçado que os festivaleiros levaram para o Parque da Cidade, no Porto...
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01/06/2013
OPTIMUS PRIMAVERA SOUND PORTO 2013

O regresso da banda que marcou o panorama pop/rock alternativo dos anos 90 satisfez visivelmente a plateia numa em que também atuaram os Glass Candy ou Melody's Echo Chamber. Ao segundo dia, o Optimus Primavera Sound, no Parque da Cidade, no Porto, passa a funcionar com os quatro palcos para a atuação de 22 bandas.
18h50: Depois do aquecimento (a meio gás) das bandas portuguesas Dear Telephone e Memória de Peixe, e dos Ghost Digital, a meio da tarde no Optimus Primavera Sound no Parque da Cidade do Porto; a portentosa voz de Neko Case apoderou-se do Palco Superbock, conquistando uma plateia - algo sonolenta - com os seus ares de Janis Joplin moderna (a referência torna-se tão óbvia quanto a sua imagem) e o seu sentido de humor canadiano.
Invocando a sua faceta indie rock (que herdou da sua longa e afamada colaboração com os The New Pornographers) embrulhada na boa-disposição da sua banda, Neko Case actuou pela primeira vez em territórios nacionais (e já prometeu nova visita no final do ano) e deliciou com uma folk despreocupadamente clássica.
Mas foi, contudo, com OM que o festival começou, um nível de execução técnica num patamar de músicos como Cisneros e Amos a proporcionarem e a demonstrarem um controlo sobre os seus instrumentos um pouco fora do normal. Aos sobreviventes Meat Puppets, juntou-se os Swans, Mão Morta, OM, o rock imaginativo dos Local Natives de Los Angels, dos canadianos Metz, e os repetentes Shellac de Steve Albini.
22h20: No Palco Pitchfork, a meio da noite, a parisiense Melody Prochet lidera o seu projecto algo tenro e traz-nos a dreampop lustrosa de Melody's Echo Chamber, que em 2010 serviu de banda de suporte para os australianos Tame Impala. Em perfeita harmonia com o público e com o espaço em que se apresentou, os temas mais pomposos do seu ainda único álbum ecoaram ao longo de um concerto decorado com a candura do rock psicadélico que se esconde por detrás da figura vulnerável e tremeluzente de Melody, visivelmente surpreendida pela onda de calor e devoção com que os presentes respondiam perante temas como You Won't Be Missing That Part Of Me ou o derradeiro Jam.
01h25: A encabeçar o cartaz do festival e a marcar o retorno de uma das aplaudidas bandas do panorama pop/rock alternativo britânico, a actuação dos icónicos Blur deu-se precisamente nos termos em que se construíram as expectativas de uma plateia tão saudosista quanto exigente. Damon Albarn fez esquecer o peso da idade (passaram-se dez anos desde a última actuação da banda em Portugal), liderando um espectáculo frenético onde não faltaram êxitos como Girls & Boys (que abriu o alinhamento), Coffee And TV, ou ainda no épico encore ao som de The Universal ou do muito esperado Song 2. A energia (ainda juvenil) dos Blur espalhou-se por uma plateia que convocou todas as suas forças e continuou a pular e a bradar as letras bem alto até ao último minuto de um dos concertos mais esperados do festival.
03h00: O galardão de maior - e, sem dúvida, mais agradável - revelação deste segundo dia de festival - vai para os Glass Candy, um duo norte-americano que trouxe, pela primeira vez, a sua electrónica a Portugal. Com um repertório discográfico já relativamente extenso (o lançamento do próximo álbum, Body Work, prevê-se para o final deste ano), o projecto encabeçado pela vocalista Ida No (que mergulhou entre a plateia, levou fãs ao palco e ainda teve tempo para cantar os parabéns - em uníssono com o público - ao parceiro de banda, Johnny Jewel), agitou o Palco Pitchfork com as batidas refrescantes e os ritmos de uma sonoridade muito própria, que precisa de ser (re)descoberta urgentemente.
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OPTIMUS PRIMAVERA SOUND, PORTO 2013
A primeira jornada da segunda edição do festival levou ao Parque da Cidade, no Porto, uma multidão que viu concertos de Nick Cave, James Blake, Deerhunter, Dead Can Dance, Wild Nothing.
18h00 - A abertura cabe aos espanhóis Guadalupe Plata , trio de blues rock atrevido e fogoso que instrumentalmente não compromete, mas que tem a pouca fortuna de contar com uma voz um tanto ou quanto esganiçada (eufemismo!) para a missão. Outros voos promete este primeiro dia do Optimus Primavera Sound, em que já vimos um par de patos a atravessar o relvado como se nada se passasse. Boa sorte no caminho para casa (o lago aqui mesmo ao lado) é o que lhe desejamos. Outros "apontamentos de reportagem" (como se usava dizer) em breve.
20h30 - O pôr-do-sol do primeiro dia no Optimus Primavera Sound tem banda-sonora dos norte-americanos Wild Nothing , quinteto onde os sintetizadores jogam um papel importante na construção de canções confortavelmente encaixadas entre a dream pop e a power pop.
Kim Deal, Kelley Deal, Josephine Wiggs e Jim MacPherson – para tocar o disco de uma ponta à outra. Não faltaram “Cannonball”, “Invisible Man”, “Divine Hammer” ou “Saints”, revelando todo o ADN das Breeders: uma linha de baixo empolgante, guitarras em êxtase, uma bateria que vive de acelerações rápidas e ávidas tentativas de recuperar o fôlego. Sente-se aqui o peso dos anos, mas uma certa nostalgia de quando em vez nunca fez mal a ninguém.
Cave canta-nos "We No Who U R". O novo álbum, "Push the Sky Away" ocupa metade da setlist que percorre ainda clássicos como "From Her to Eternity", "The Good Son", "Henry's Dream" e um personal favorite, a história do desesperado "Stagger Lee" - a extensão do tema ao vivo leva a ainda mais assassinatos que só terminam no mexican standoff com o próprio Grande Bode. Uma actuação que nunca atinge a fúria com que nos agride em Grinderman, mas com muito mais subtilezas dinâmicas. A entrega de cada um dos músicos em palco é algo que não surpreende.
Numa curta viagem que durou pouco mais de uma hora, escutaram-se alguns dos temas do novo disco - “Push The Sky Away” - mas sobretudo “The Mercy Seat” recorda-nos a sábia máxima do “olho por olho, dente por dente”; em «Whiping Song» as lágrimas são enxutas pelo calor e o abraço de um violino; «From Her To Eternity» lembra os tempos em que as palavras de Cave eram escritas com sangue e movidas pela raiva; «Red Right Hand» é um tango onde o vermelho foi trocado pelo negro, servindo para Cave atirar uma boca ao uso de telemóveis durante os concertos; «Stager Lee», apenas um dos momentos épicos, é uma intensa canção de engate que deu para o torto.
Nick Cave passou a maior parte do concerto em suspensão sobre as grades, amparado pelop fãs da frente- ainda deu um tropeçam, quase caía, apertando todas as mãos que se lhe esticavam, pregando que o fim está próximo, talvez. Com muita sensualidade, uma grande dose de ira e uma voz que vai da doçura à raiva, Nick Cave presenteou-nos com um concerto que dificilmente terá concorrente nesta edição do Primavera.
Forças que fazem a "morte dançar". Já restam poucas metáforas para a voz de Lisa Gerrard. Para a sua imponência doce e maternal - sob esse som sentimo-nos filiados, "Children of the Sun", passe o paradoxo de este ser um dos temas cantados por Brendan Perry. "Anastasis" irá ocupar a maioria da setlist, mas é inevitável ouvir o encanto de "Song to the Siren" ou o exotismo de "Nierika". Talvez cientes de ocupação de um palco/ambiente pouco apropriado às subtilezas da expressividade da sua música, os Dead Can Dance soaram com maior vigor e exuberância nas percussões, o mesmo sucedendo com o trabalho de Brendan Perry na bouzuki. A única coisa que se poderia apontar à actuação foi a ausência do fascinante "Rakim.
Ainda houve tempo para navegar com os Deerhunter, entre o espírito pop de “Halcyon Digest” o mais travesso – e recente - “Monomania”, e para um bonito momento de sedução protagonizado pelo menino James Blake, um crooner da electrónica, um mago dos efeitos e distorções vocais que, cada vez mais, sai da sombra para revelar uma voz inconfundível.
Assim se viveu o primeiro dia de Primavera Sound.
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