18/08/2010

BORIS VIAN




A lista de escritores franceses do século XIX, que valem a pena ser lidos: Stendhal, Maupassant, Proust, Flaubert e Balzac e poetas como Baudelaire, Verlaine, Rimbaud, e Mallarmé. Os modernos Boris Vian, Marguerite Duras, Jean Genet, Jean Paul Sartre, e André Maurois

Boris Vian nasceu em Ville d'Avray em 1920. Era um boémio: festas-surpresa, altas-velocidades e trocadilhos em rima eram os passatempos. Interessou-se por jazz e em 1937 entrou no Hot Club de França. Estudou engenharia mecânica, recebendo o seu diploma em 1942, actor de cinema, cantor de cabaré, trompetista, tradutor, inventor, executivo da editora Transcendent, e no Satrap of the College de Pataphysique - Colégio dos Patafísicos.

A Patafísica é a ciência das soluções imaginárias: a missão era "explorar os campos negligenciados pela física e metafísica".
O grupo tinha um pai espiritual (Alfred Jarry, escritor, que morreu em 1907)

O trabalho extraordinário de Vian é espelhado na sua vida fascinante. Escreveu romances, peças teatrais, músicas, cenários, e uma curta ópera.

Boris Vian amava a música - principalmente o jazz, que exercitou com muita competência na orquestra do clarinetista Claude Abadie, a banda preferida dos existencialistas e dos "zazous", os aficcionados do jazz dos anos 40. Amou a música muito mais do que amou a literatura.

Escreveu O Outono em Pequim uma his­tó­ria não se passa no Outono nem em Pequim, mas no ima­gi­ná­rio deserto da Exo­po­tâ­mia, onde um estra­nho Sol emite raios negros e um grupo de pes­soas bas­tante ori­gi­nal tenta cons­truir uma esta­ção de com­boios com vias-​férreas que levam a lado nenhum. Num cenário onde reinam o ilógico, o absurdo e o improvável, Vian, mistura um fantástico humor com uma desigual quantidade de náusea, e introduz várias personagens excêntricas.Ele foi um dos primeiros a protestar contra a guerra da Argélia com sua canção Le Deserteur, que foi proibida pelo governo. Escreveu em três meses "A Espuma dos dias", com que concorreu ao prémio da Pléiade, que não recebeu, apesar dos apoios de Queneau, Beauvoir e Sartre, com quem convivia. Em 1948 conheceu Duke Ellington, de visita a Paris.

Mas a maior controvérsia surgiu em 1947 com a publicação de J'irai cracher sur vos tombes. Vian apresentadas neste trabalho sob o pseudónimo de Vernon Sullivan, apenas alegou ser o tradutor. Em 1948, as vendas atingiu o reconhecimento quando o livro foi encontrado num quarto de hotel ao lado de uma vítima de assassinato. Vian foi a tribunal e admitiu a autoria. O governo francês proibiu o livro em 1949 como "contrário à moral pública" e Vian condenado com uma multa de Fr100, 000.

Morrerei antes dos 40", disse. Os médicos obrigaram-no a deixar o trompete. Morreu de ataque cardíaco, em 1959. Tinha 39 anos. Ironicamente, o engenheiro anarquista, morreu antes de completar 40 anos a caminho do hospital, logo após ter tido um colapso sentado numa poltrona de cinema, a ver a versão para cinema em 1959, da qual assistia - insatisfeito, a ponto de exigir que o seu nome saísse dos créditos - a uma película baseada do seu livro Irei Cuspir nos Seus Túmulos.

Em seu 39 anos Boris Vian escreveu 10 romances, 42 contos, sete peças de teatro, 400 músicas, quatro colecções de poesia, seis libretos de ópera, 20 de traduções de contos e romances, e cerca de 50 artigos.

Dizia, sabiamente: "Só existem duas coisas: o amor de todas as maneiras, com garotas bonitas e a música de New Orleans ou de Duke Ellington. O resto deveria desaparecer, porque o resto é feio (...)».

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