15/01/2009

JANDEK-concerto

Afinal parece que existem coincidencias!! Acabei o ano de 2008 a ver ao vivo THE RESIDENTS, começei o ano a ver ao vivo Jandek. Concerto esgotadíssimo, fui o ultimo a entrar na sala, e o primeiro a sair da sala. E para conseguir assistir ao "louco" do Jandek, tive de dizer que vim de Lisboa de propósito para ver o concerto, lá me cobraram os 15 euros, mas não tive direito a bilhete, foi única a alternativa que se arranjou. Eu gosto de Jandek, mas já sabia que a performance seria sózinho ao piano, muitos esperavam que pegasse na guitarra, (volta Jonh Cale estás perdoado )desta vez não vinha em trio, sem a voz e guitarra que são a sua principal imagem de marca. Mas a tentação de o ir ver foi mais forte, não podia perder esta figura, de fisionomia esguia, alta, parecido com o Michael Gira dos Swans, até o chapéu. Este concerto foi um teste ás nossas capacidades e aos que quiseram estar ali até ao fim. Foi a segunda vez que não vi um concerto até ao fim, o primeiro foi com os Einsturzende Neubauten, agora foi com Jandek. Foi a primeira vez que paguei um bilhete para ver um artista. Entrar no mundo de Jandek é entrar num mundo desconhecido. É entrar nas zonas obscuras do subconsciente humano e o que daí advém em termos musicais, receber uma das figuras mais enigmáticas de sempre da música e um dos raros concertos do senhor que responde por Jandek – ele que apenas começou a tocar ao vivo em 2004 apesar de longos anos de carreira - para contentamento dos que seguem a figura misteriosa. E até espanhóis faziam parte da plateia, o concerto teve início pouco depois das 7 da tarde entrou em palco sem apresentações sentou-se ao piano e só dali se levantou passadas quase duas horas sem dizer uma palavra, sem se mexer para além do necessário para tocar o piano. A sua técnica não é prodigiosa ao vivo é concerto mas é também performance, é música mas também é anti-música. Foi um Jandek melodioso em duas longas composições – com uns 40 minutos minutos cada ou perto disso, a fazer lembrar a faixa título de "The Beginning", disco de 1999. Quando se aproximou das notas graves sentiu-se algum ruído.Muitos esperavam certamente que Jandek se apresentasse na guitarra, como eu vi o concerto de John Cale, inesquecivel,aquela voz ficou para sempre no meu subconsciente, certamente todos aqueles que conhecem a obra de Jandek desejavam que este mostrasse um pouco da sua voz – mas isso nunca chegou a acontecer. Mesmo quando melódica, a música de Jandek provoca um certo desconforto, quase violento como em discos como Ready for the House. Pianista pouco ortodoxo, Jandek regressava constantemente a uma mesma frase melódica, não muito distante de Erik Satie (como em "Glasgow Monday", de 2006), mas logo tratava de destruir essa beleza melancólica e ordenada com ataques furiosos às notas mais graves que geraram os momentos mais tempestuosos - e interessantes - da noite. Uma espécie de tratado sem palavras sobre a solidão e a tristeza temas recorrentes na discografia do músico. Naquele fim de tarde de Janeiro, Jandek criou nada menos do que imensas telas de solidão. Isso sentiu-se.

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